Já esperei por tantas coisas
hoje me contento
com o silêncio
de todas as coisas
claras
e óbvias
já esperei por manhãs como outras
e noites estarrecidas
por uma vida esparramada
nos braços de sempre
mas sei que a felicidade é um lapso
e um segundo que sempre passa
o resto é esse viver ingrato
essa ânsia sem rumo
hoje eu me contento
e posso repetir mil vezes
estou a salvo
e ninguém me salvou
quero meus lábios calmos
e meus passos na beira
e as vezes
esse destino sangra
e quando chove
a minha janela desenha você
dentre tudo o que foi perdido
descanso o meu olhar
faço as pazes
com as cartas sob a mesa
talvez eu tenha tido sorte
ou perdido o jogo
talvez eu viva pela metade
depois das histórias curtas
Já falei sem parar
sobre o que segue
e me vicia
entornando tudo que vejo
num rio correndo depressa
mas depois dessa agonia
abandonei a pressa
e não falo mais de nada
a beira do rio, da estrada
dos olhos que fecham
agora
sobrevivo de ouvir
entrego os dias
a rendição é simples
eu preciso escutar
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