a fé costuma esvair-se
pelas mais incômodas frestras
quando existe a verdade
e o que habita os sonhos
andar pelas ruas
não é a mesma coisa
e o fim da tarde
é somente o fim da tarde
o café repousa sob a mesa
junto a meus dedos
e à tinta
com que imagino
a cor da última vez
e se nunca mais
essa história tocar os lábios
é porque todas as coisas
habitarão seu lugar
números e músicas repetidas
selos sem carimbo
coisas sem fim
e dentre todos esses
um começo que ri
e nada principia
remédios e cobertas
e tempestades
em canecas pequenas demais
a espuma no chá
sem mensagem alguma
e um eco entoa
de algum lugar
que um erro
nada mais é que um erro
e todas as coisas simples
dependem de errar
entenda bem
o inexato e a imensidão
das coisas incertas
como uma anti matéria
espalhando o caos
e desfazendo tudo o que ousar ser
ou entornar o viver
numa bagunça real
algumas histórias ousam demais
e se algum dia
essas mãos sob a mesa
se erguerem no ar
haverá novamente
um laço que se desfaz
desamarra os punhos
e a vida
repousa sob a mesa
incapaz
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