“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Acaso

se algum dia
seus olhos caírem
sob este poema
saiba que ele nada diz
sobre mim
ou sobre o que quero dizer

se por acaso
o meu juízo falhar
essas notas voarem
 nem o vento carregaria
qualquer parte minha
esses poemas são loucos
e fúteis
e mentem

talvez eu não tenha amado
ou vivido
o que a alma diz
e tudo tenha sido
a mais perfeita ironia
em forma de adeus

se um dia essas palavras
estiverem em suas mãos
use-as como luvas
ou como lenha
ou qualquer coisa que queime
na mais perfeita inexatidão

por todos os motivos
e meus estúpidos perdões
eu nunca disse
exatamente o que quis dizer
ou ocupei o mesmo lugar

portanto
esse poema corre
de mim e de ti
e nada oferece
senão um pedaço de teimosia
e um curto abraço
que não sabe chorar

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