“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Pelos ares

há momentos
em que a face
volta-se para o chão
e as memórias sabem-se
perdidas
ambas precisam terminar

a face que olha
que busca
a memória que anseia
devem descansar

por vezes
a paisagem demora
o piscar dos olhos remete
outros tempos
o ar que adentra o corpo
parece simples
e não percebe quão distante
é o tempo que passa

talvez nenhum outro corpo perceba
o tempo passando
e roubando as melhores cenas
herdeiro do que não posso carregar

talvez outros pares de olhos
não vejam o peso sob os ombros
e esses meses e horas
a esmagar o que resta

até que ninguém mais
espere que nada mude
o corpo não rasteje
os olhos levantem
e nada respire

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