Já não importa muito
dentro da morada
em que as coisas se tornam escuras
e antigas
Não importam os abraços
os pedidos
as promessas
e as amarras
são sons abafados
são mentiras breves
que continuam caindo
Não vejo nada
além da pressa
e das imagens borradas
quando corro
já não preciso parar
A verdade é uma
e eu nunca pude domar
todos os meus fantasmas
tampouco ensurdecer os sons
e os chamados de outra voz
eu nunca pude voltar
Tanto a contar
sobre as visões
e as tristezas que vieram
em ondas fortes
e me tragaram como revolta
e me fizeram naufragar
mas a escuridão é um mundo
feito de força
e os meus gritos brutos
são como pedido
Peço por sombra
e por fôlego
e que o mar seja feito
depois de atravessado
que eu nade
alcance outras terras
morra na praia
ou enlouqueça na ausência
e nunca me encontre
no mesmo lugar
Que eu veja outras horas
chegada a hora de ir
e reveja meus velhos amigos
e enfrente velhos medos
e marejados, os olhos
que continuem correndo
devorando o caminho
movendo as montanhas
e sendo maior
que o próprio tamanho
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