sento à mesa
e estou farta
torno a casa
viva
e estou morta
sóbria
sinto outras mãos
que acariciam o ego
e mexem as bocas
sem som algum
ébria
vejo outros rostos
colados ao meu
e outras luzes acesas
outros lençóis
e emaranhados de adeus
prazeres custam
um tanto de mim
que não posso pagar
tão caras as paixões
sem nome ou face
pilhando o que é único
e nunca se dá
ouço o querer
querem os meus ouvidos, olhos
o amparo em meu cabelo
e o corpo entregue
não me satisfaz
querem os meus passos
e o mapa que sigo a desenhar
o ouro guardado
a ilha que habito
tudo o que me faz
é a única moeda
que não posso trocar
sou só
e insana
e tão sórdida
tudo que me faz rica
é invisível
é o que todas as noites
e todos os homens
querem roubar
mas os ladrões desconhecem
os mistérios da minha dor
a distância viva em mim
a frieza da memória
e o gosto amargo do adeus
possuem o corpo
as palavras
minha vontade e meu êxtase
acordam ao meu lado
e esperam que eu durma
e vasculham o quarto
marcam-me a pele
com as letras do nome
mas estou farta
e sempre só
a minha única posse
é a certeza
em começo e fim
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