Nunca estou em casa
meu lar são as palavras
ainda por vir.
É uma agonia íngreme
dar luz a uma parte de si
que se acostumou ao breu.
Qualquer alma anseia
por chegada
qualquer que seja esta
e por destino,
mas eu (por teimosia
ou amor à solidão),
vivo em uníssono com o destino
e até a exaustão com a jornada.
Sim, esta alma é uma eterna
ânsia
e uma péssima mentirosa,
encantada por natureza
e invariavelmente,
perdida no tempo.
Enquanto alguns carregam,
relógios de bolso,
ou em pulsos,
a minha maldição é desobedecer as horas.
Enquanto escrava de meu próprio rumo
meus únicos horários
são as intempéries,
pontualmente atrasadas,
sempre cobertas de razão.
A minha alma é senhora
de si e de tudo o que a toca
Mas meu corpo (por eterna desobediência)
e corre ao vento,
nu e jovem,
cresce e jamais envelhece.
É um começo de saudade
que oscila, insano,
por toda a tristeza
correndo alegre quando diz, irreverente
o que os lábios não podem.
Um misto de doença,
que nunca decide por ficar,
grita por nada
e insaciável, percorre memórias
da coragem ao vazio
permanece estarrecida
com o vício em reviver.
Nunca satisfeita,
tudo inquieta o olhar,
enquanto houver silêncio
e vindas de lugar nenhum,
restará algo
ainda por dizer.
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