Quando todas as coisas que fiz
forem lar
não contarei sobre o que ficou
serei o céu e as estrelas
o teto e o abrigo
que parti a buscar.
São infinitas as vozes da alma
e suas sinfonias,
tão sutis e secretas
tocam todos os ventos,
sopram todos os dias,
reveladas no ar.
As escrituras do tempo
não escrevem a tinta
são lei
estão em cada espaço
e cada parágrafo em branco
é como uma vida perdida
escrita, em tempo, em mim.
O cansaço é maior
em um céu azul
e a sala empoeirada
é de poucas palavras.
Aqui, tudo já foi maior
tudo já foi.
É como passar os dedos
por uma carta antiga,
como ter preocupações inúteis
e atribulações inférteis.
Os pensamentos são de outrora
e o amor é velho e enrugado
como alguém que perdeu a hora
e resolveu descansar
aos poucos
e cada vez mais
deixado para trás.
O silêncio atesta
as mesmas coisas
desde o começo,
do que se quis dizer
e agora,
a bagunça feita repousa,
até que, tão tola,
alguém a encontre
ou a desculpe.
Quando eu calar
é que nada terá restado
junto a mim,
um sonho
e um segredo a cada lado,
a metade sagrada em adeus
e o perdão selado em encontro.
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