“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O sol

Já havia dor antes
E outras noites claras demais
Mas todos os antes
Parecem tão rápidos
Desde que parei aqui

Se existe algum sentindo
Em perder a razão
O preço é alto demais
Se o erro e a culpa
Forem o meu reinado
Então a dívida é eterna

Em cada pedra da minha coroa
Em cada espinho no meu arranjo
Em cada adaga pulsando em mim
Respira em uníssono o seu peito

Ainda sorrio
Dentes tortos e alma sombria
Eu sei da parte minha que resta
E ninguém adivinha
Aonde mora minha paz

Não sei aonde olhar
Quando abri todas as janelas
Em busca desenfreada
Esqueci que o sol era seu

Aceitar o que viesse
Sempre foi um hábito
Porque eu nunca tive certeza
Até inventar seu rosto
Nesse desvario
Enorme como o vazio
A perda era uma lei
Nunca questionada
Até que dissemos adeus

Agora,
Todos os dias são perguntas
E quanto falta
E aonde foi
Cada parte sã

A dor era um lar
Um teto em que eu dormia
A herança da minha família
Mas quando algo resiste
Os olhos nascem de novo
E dentro do seu olhar jurei assistir
A vida começar

E o que a fé nesse caos
Faz noite adentro
Une todos os santos
E infernos
Por onde eu passo
E renasço toda vez
Que digo adeus

Em cada palavra
Em todas as linhas
Descrevo não saber
O que difere de tudo
O restante da história
O infinito em cada pergunta
O vazio em cada segundo
Quando lembro de você

Nenhum comentário:

Postar um comentário