Sentava com as estrelas
Quando ouvi uma canção
há muito esquecida
Vibrando no escuro
As cordas invisíveis tocavam
E a cada acorde
O som mais antigo
Que a alma há de conhecer
E o céu era parte da música
Que passava
A noite era parte do som
Que passava
E as cordas vibravam como o tempo
E diziam
Que sempre estiveram ali
Todas as rugas no rosto
E os passos no chão
A minha frente
Enquanto eu pensava que essa terra
Era pó
Toda essa estrada sozinha
Cabia e cantava em apelo
E pedia aos meus ouvidos que ouvissem
Implorava aos meus olhos que vissem
E que todo o corpo vivesse
O que acontece aqui
E sem motivo para o agora
Espio pela fresta de todos os perdões
Da morte da pressa
Do dilúvio da dor
Só existem cordas e estrelas
E o mistério revelado
De ocupar todo o espaço
E ouvir o som do destino
Golpeando o ar
Ouvir o tempo pintar uma tela
E traçar como aviso
A paisagem de amanhã
Como se oferecesse propósito
E me dissesse
Que o eterno segredo da vida
É encontrar e salvar
O que há a ser salvo
As cordas vibravam e viviam
A assistir
Enquanto os meus joelhos
Curvaram
E meus olhos fecharam
Enquanto eu fui rio
Como que dizendo
"Eu sou a corrente
E sempre estou aqui"
Nunca achei
Nada do que deve ser descoberto
Ou tive respostas certas
É impossível chegar na hora
Quando o encontro não foi marcado
Eu sempre corri
E o destino não era meu
Como o traço que rabisco
Ou o seu nome que escrevo
Nenhuma das coisas que toco
Pertencem a mim
Tampouco essa lágrima
Tampouco essa ausência
Ou essa certeza
De que as cordas que vibram
Sempre estarão aqui
Todos os dias dancei ao som
Do meu próprio destino
Abraçando cada tropeço
Que me leva
E me diz
(Em verdade vinda voando
Como quem traz o que falta):
"Tudo virá
E o que importa
Está aqui"
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