Você pode rezar
e andar sob as chamas
e clamar nomes
que diminuam o seu passado,
o seu tamanho,
e essa sensação esmagadora.
Pode dizer,
milhares de adeus
e culpar muitos dias
em que uma parte sua
pareceu perder
algo seu.
Mas você não saberia
consertar essa cena
e juntar os cacos
sem se cortar aos pedaços.
Você não tem culpa,
nem voz,
ou razão.
O seu orgulho e seu zelo,
e essa cautela sem fim
são chão
e os passos do ego
não levam a lugar algum.
Tanta andança
sem destino algum,
um rosto que não se mostra
e uma boca que não fala
um corpo cheio
de términos pela metade
e segredos guardados.
Quantas histórias tristes
pra poder enfim,
parecer feliz.
Quanto receio herdado
e conselhos óbvios.
Você pode tentar
fazer as mesmas coisas
e ceder a mesma quantia
de nada além,
levantar e deitar-se
e viver até cansar.
São tantas as faces da morte
E do mesmo erro
Num duelo perdido e anunciado
Não há o que ou quem
Força ou treva ou tamanho
Não há o que exista ou ameace respirar
Caminhe ou nasça nesse chão
Não há o que sobreviva
Ao soar dos sinos e tiques das horas
A fio, a esmo, ainda ou agora
O tempo há de levar
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