Sobre o tempo que perdi
enquanto fazia sentido
de uma memória que se faria comum,
uma noite vivida,
um amor ordinário.
O meu maior desejo é sentir medo,
mas em algum lugar perdido
deram-me coragem demais.
As camas em que deito,
os lugares que visito,
são sombras dessa minha eterna
ausência de rumo
e vontade de pavor.
A necessidade do vazio
e de tudo mais que não me perturba
reflete as mesmas
paixões fracas
e destinos errantes.
A minha cicatriz é a força
em fugir dessa mesma vida.
Ao inferno com o acaso
e o juízo,
mereço os dados,
e esse caos que cisma
em dar as cartas.
Perco e blefo,
morro de orgulho
e de outros pecados.
Ao inferno com a coragem
que você não tem,
com essa necessidade estúpida,
essa certeza insossa,
uma vida parada.
Se eu for o incêndio
desse passado que não morre,
sou a prova viva
do efeito da fúria,
da arma que fere e pulsa
incessante,
deseja sempre mais.
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