“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Rogado

quem é você
nessa história pouco escrita
nessa música breve
nessa memória crua

o que é que escreve
o que vê
quando cala sereno
diante do que falta

qual foi o momento
em que todas as falas
desistiram
e eu morri

o que moveria
os seus lábios
o que atesta
essa ausência

a visão do adeus
e das minhas costas
ainda é vista
alguma hora

quem você é
e quem desistiu
de mim
qual parte sua lutou
ou se eu nunca guerreei

se me salvou
ou ao menos esteve aqui
se fecha os olhos
e a sua paz
é tão grande
como o castigo
dos crimes que cometi

se é cansaço
ou lucidez
a demora com que se fez
tudo antes do adeus

quem sou eu
o que ficou
o meu espaço
se ainda habito
brechas
ou imensidão


qual é o sustento
quanto do silêncio
é prova de amor
ou falta de coragem

quem abriu esse espaço
a punho
ou a ferro
e cortou um caminho
em mim

do que você é capaz

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