“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Planeta

eu esperei por você
e de nada serve
a minha palavra
cheia de tudo
como o vento
que te carrega
leve
tão longe

muito não entendi
mas você foi a maior
morte
e é morrer
não saber
se você é fraco
ou forte
ou como leu
as minhas palavras
se ecoam
como o meu pesar
dentro do mundo
que dividimos

não posso pagar o preço
desse silêncio
não posso ficar aqui
e ainda estou
consumida
e desacreditada
irremediavelmente
aqui

eu queria ser bruta
queria ser forte
já não posso ser tola
tampouco rica
das artimanhas da fé
eu tropeço
e não chego ao chão
se chão houvesse
eu estaria aterrada
nessas coisas suas
que cobrem a vida
e a luz

eu sou uma sombra

o que adianta querer
já não possuo nada
e durmo
e acordo
e creio
desgraço-me
mais e mais
a olhar o céu

eu queria voltar
pelo caminho que percorri
antes de tudo ser perfeito
já que continuas sendo
o melhor
no que é bom
silencias tudo

o que é o vento
perto do que levas?
o que é a madrugada
quando tudo para
frente ao seu rosto?

não há volta
não há céu
ou vento
ou noite

existe apenas o que eu vejo
e o que não é

paira no ar
perfeito e exato
rarefeito
eu respiro
e não existo
no seu universo

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