Existe uma lei
em todos os universos
do amor e do ódio
Com a boca
devora a tudo
e consome todos
os corações inertes
Com garras
rechaça o tempo
e rasga o peito
que não pode esperar
Protege e respira
e aguarda
Existe uma hora
a soar em todos os sinos
e bater nos ponteiros
Uma hora que sempre
sempre chega primeiro
Com seus ponteiros
agulhas e farpas
ferem e ficam
Pois não existem olhos
que enxerguem
os meros
os mínimos
maravilhosos detalhes
Sem som,
seus minutos, segundos
Caminham e correm
e somem
Sem destino
Levam todos
e lavam os olhos
Repete e anseia
e aguarda
Existe uma lei
na hora em que tudo diz
"Agora"
Um eco no ar
Que abre os cílios
E os braços
Com sua insensatez
jamais se curva
E arma nenhuma abate
o seu riso
Cruel
e de vontades
superiores
Festeja
e seus banquetes
nunca matam a fome
Cansada e alerta
Corre a destruir
o que estiver no caminho
e fora do lugar
Exibe, afiada
os dentes
e insana
aos passos pesados
fareja
pela cidade
Há uma lei
em tudo que é
dentro e fora
de nós
Que retorna cansada
e suja
e se abriga
entocada e escura
Seremos
e deixaremos de ser
quando algo maior
e pior
fizer de nós
o que vem depois
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