“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 6 de maio de 2017

Nada

me lembro da música
que tocava no quarto
e da meia luz
em que eu vi
a vida passar
nos seus braços

estive lá
quando você era silêncio
e pedia mais
e tinha medo

quando sentamos a mesa
éramos jovens
e inquietos
eternamente
insatisfeitos

quando deixamos
de ver os nossos olhos
algumas coisas
ficaram
como os seus ombros
e o som
de não respirar

mas tudo
tudo
lembra
estar em casa

 quando tudo foi dito
sobram sonhos
e milhares
de adeus
e pedaços de coragem
e outros dias
e outras vezes

mas nada
nada
parece ser
o quarto
e a noite
 e o fim.

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