“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 6 de maio de 2017

Hábito

Todos querem saber o que é amor. Amar alguém é sentir falta de estar em paz por tempo indeterminado? É uma agonia em passar a sentir qual a parte faltando em si? Devolvo a pergunta. É preciso saber de amor? Se eu te disser que feche os olhos e pense em alguém, você saberá o que é amar. Saberá exatamente aonde foi e aonde dói. O amor é uma jornada, nos leva pela mão e nem sempre nos guia. O amor é desenfreado. É embarcar em algo que não parece com nada, é fechar os olhos com aquele rosto pela primeira vez e saber que fechar os olhos nunca mais vai ser a mesma coisa. É entender que não importa o quão distante você já tenha ido antes, é preciso embarcar, é preciso ser próximo de algo, de qualquer maneira torpe e problemática. O amor é cheio de manias, de falhas. É feio e tímido, é bravo e inconveniente, é insuportável e não fala absolutamente nada na hora em que mais se precisa. Sabe por que? Porque tanto tempo é perdido tentando definir um querer, um padrão, um o-que-é-isso, que o normal é esquecido. Querer alguém quando você abre a porta de casa, lembrar de alguém enquanto você faz café. Aquela saudade excruciante que cai na cama como algo muito pesado, aquele sonho lembrado só depois do almoço...O amor está aonde encontra morada. Nos lugares simples como os atos que repetimos todos os dias, enquanto distraídos. Se a forma de amar é a forma como se vive, amamos repetidamente e distraidamente todos os dias. Se for como ler o jornal, ir ao trabalho e voltar pra casa, o amor nos pertence desesperadamente. Em quem você pensa enquanto lê um livro? Quem está com você enquanto o elevador demora a chegar? Quem é que faz silêncio em qualquer lugar?
Feche os olhos. Pense em alguém. O amor é simples, não é pergunta, não é resposta, nunca é óbvio. Aonde você está? O amor nunca é distante, é o que está sempre lá e talvez sempre tenha estado. Abra os olhos.

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