“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

fim

os lábios dizem que amam
e as línguas procuram amor
e se esse afeto for vício
troféu
ou história

como é turva a vista
quando meus olhos veêm
é silêncio apenas
quando passo a ouvir

onde é que moram esses lábios
como se aprende essa língua
que certeza é essa
a durar tão pouco
que encanto é esse
a se esvair de mim
como um sono difícil
em que você dorme ao lado

os seus olhos pareciam dizer
caídos
que já não viam meu rosto
fizeram com que eu ficasse
para agora teimar?

o vento da queda
é um amargor ingrato
mais uma vez
despertar
quantos sonhos lindos
quantas vezes limbo
desperto ao chão
despenco a ti
desespero em tempo

 um segredo
uma história
qualquer
o seu vício
eu preciso do seu começo

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