“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 11 de dezembro de 2016

a deriva

Se a cor dos seus olhos
como ondas quebrando
no mar que nos tornamos

os braços sobre mim
nascente das noites
que revivo incessante
a maré consome
qualquer outra memória

ardem os olhos
a vista de um mundo
em que habitam somente 
dois corpos em febre

meu peito se fez luz
seguem os passos
somente uma direção
manhã, tarde, noite
mesmo rumo
destino
desmonto

é mútua a sensação
não basta o infinito
a sintonia fina
o ritmo agoniza
e sempre recomeça

 flutuo num oceano que se perde
a tentação do mergulho persiste
naufrago
e do náufrago sobrevivo
sem pretender voltar

submersa
nesse verso
sujeita a loucura
mergulho
em ti

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