“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 10 de dezembro de 2016

humano

não está mais aqui a minha marca
já não sigo seus passos apressados
estive ao seu lado
mas com que pernas seguia
se o destino estava
apenas de passagem

a esmo
quero estar aqui
não se ouve nada
nesse silêncio fúnebre
da minha marcha
nada impera sobre mim

por vezes há uma vaga
onde seu nome repousa
sensação de vazio
porque você é pressa
a eira
a beira
de mim

essa lentidão é liberdade
é sede
de estar exatamente aqui
em desafio
eu brindo a cada momento
em que não existe porque

porque você precisa tanto
dessa coroa
que embarca o ego
que embarga os meus olhos
o meu presente seria
uma coroa de espinhos
leve
e que tirasse de você
essa prisão
porque você não sangra

e é sangrando que se segue
é vermelha a cor da órbita
quando a certeza é pouca
e bastante
só é preciso continuar

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