“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

terça-feira, 4 de julho de 2017

Sopro

Eu tinha certezas antigas
E memórias perfeitas
Que não diziam nada
E nem davam adeus

Hoje não vejo os olhos
Buscando o que perderam
Antes de me encontrar
Não sou o som
Tampouco a imagem
A coragem faltando
Ou qualquer espécie
De salvação

Finalmente, faltam palavras
Resta o meu corpo jogado
Em um canto novo
Onde a história
Nunca foi sobre esperar

A herança da estação passada
Prevalece
Ergui o mais sutil segredo
Da parte do seu ego
Coroei minha fronte
Como rainha do fim
Sobrevivo crua
E permaneço exata

Se a marca de ontem
For demais
E você não quiser ver
Quão pequeno o restante
Não será surpresa
Se tivermos um último final
Do discurso insosso
Entoado aqui

Eu costumava declarar
Tudo pela metade
Hoje sou inteira
Do que me arranca o juízo

Se você não falou mais alto
Ou nada quis dizer
Hoje o segredo é outro
E o medo é estúpido
Como o vento sem força
Soprando você até aqui

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