“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Fogueira

hoje o que ecoa em mim
é o desejo de explodir
com o que ficou
de amor e resto
das palavras de nós dois

atear fogo ao quarto
queimar a sombra
e o silêncio
os lençóis e o gosto
mas até as cinzas
falariam do que foi

eu quero falar da raiva
por nada nunca mudar
quero escrever a cena
durante todo o tempo
em que a música tocava
assim eu veria
mais uma vez
todas as noites

eu iria embora
ou nasceria de novo
trocaria essa história
por qualquer minuto
em que não existíssemos

não há paz
depois de tudo
ou início
ou por onde começar

perderia tudo
pra acender a luz
e queimar o caminho de volta
mas mesmo no escuro
eu correria longe
até o tempo que passou

tudo o que vejo é fogo
e todos os toques ardem
em ausência e culpa
em verdade e fim
 eu lamberia em chamas
 qualquer outro som
 falando de adeus

 ainda e sempre
sigo incendiando
qualquer estrada
que não leve até você 

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