“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sobre perceber

Existe um lugar
Para o que é coberto de razão
Descoberto em segredo
Prece em segundos
Nas noites sem fim

Quando falo de luz
Sei do tanto que brilha
E na escuridão, algo que arde
Como chama
Como nome
E outra voz

Existe além das linhas
E da memória insone
Alguma fonte pura
Um detalhe ou esmero
Que segue por si
E às vezes por mim
Como que pra lembrar
Que acredita em algo bom

Dentro de algum canto
Algo guardado e contido
Quando tudo mais
Revela vez ou outra
O fim de algo que importa
Eu pareço ter muitos finais
E poucas, tão poucas memórias
Fazem morada e discurso
Falam alto e mudam o tom

Enquanto sigo
E ando
Eu desespero
E sei que o desespero
Não é triste
É uma espera pelo que se sabe
Pelo que eu sinto
E não posso ver

Não há nada de errado
Com esse adeus
Nesse tempo em que tudo segue
A andança é o rumo certo
Quando o que surge é passado
Resta assumir o que fica
Confesso ser essa a hora
Em que deixo de esperar

Vez ou nunca as histórias pairam
E é possível ver na poeira
O desenho do fim
Talvez não haja razão
Pra ficar

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