“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

clareira

este é o meu adeus
e talvez o único caminho
guiando até você

a luz apagada
revela traços
seus ou meus
que se cruzaram
e não puderam caminhar

 fugaz a mudança
nesse breve instante
valsávamos
e já se encerra a música
 como melodia composta
e nunca tocada

talvez você seja pássaro
ou borboleta
ou qualquer coisa rápida
e de passagem
que muda o céu
e a mim

talvez sejamos estrela cadente
um piscar de olhos
ou qualquer coisa rara
que só se encontra uma vez
e fim

tão breve
e eu talvez nunca saiba
qual era o final mais feliz de ti
ou a nascente do olhar mais doce
e o tamanho de mim
dentro do abraço

eu ficaria pra sempre
mas nós fomos noite
quando é chegado o dia

eu contaria tudo
sem saber o desfecho
ou se veríamos
o sol raiar
mais uma vez
entre nós

por entre as sombras
do seu corpo nas folhas
eu vejo cores
e quando fizer dia
talvez deitemos
e do nosso caos
nasça flor


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