“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 1 de novembro de 2015

maré

eu desejei uma onda
com a força viva da corrente
pendendo sobre mim

a natureza corre
e não queremos ser selvagens

se houver escolha
não saberemos escolher

a culpa é complexa
o passado é extenso
e nunca há espaço

desejei coisas
que minhas mãos não poderiam amparar
as mãos respondem ao corpo
e corpo nem sempre pergunta

desejei um mapa
apontando o lugar certo
e se eu pudesse enxergar as direções
o ponto seria inútil

não encontro fim
por ausência ou perdão
estou longe
e imploro ainda
que eu possa ir
sem precisar carregar
esse eterno segredo

eu não sei aonde chegar

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