“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um hábito

caminho pela estrada mais longa
e a graça da fé se aventura
por onde quer que o vento vá

a paisagem parece vazia
a verdade presente como o ar frio
como dizer do ar frio
ou do medo de você

as ideias deixaram falhas
e revivem uma cena
que descreve, insana
como é infinito dizer
"Eu sei"
e o que se sabe
sempre foi hora marcada
passagem comprada
a manhã seguinte

uma noite longa demais
são muitos desejos arcaicos
sob a poeira dos dedos
e das malas pesadas
nunca desfeitas
tudo o que foi jovem
basta como vela
ao lado de quem beira
não tentar de novo

um poema tão antigo
quanto o hábito perverso
de querer terminar histórias
mais perdidas que o gosto
em saber outras coisas
além do fim

tento contar
e por mais que soubesse
não buscaria mais tempo
ou êxito
a verdade é que eu deixaria
um rascunho
rabiscos sem fim
um livro todo
pra dizer que eu sabia
e precisaria lembrar

mas a única forma foi essa
um depois a altura
ao pé da página
preciso e nostálgico,
um dócil aviso:
uma só dedicatória.

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