“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

portão

Me dá a mão, Vem. Eu quero falar, mas preciso te mostrar. Não é um pedido, não é uma tentativa. É uma viagem. Embarca comigo. Relembra comigo, lembra de mim.
Daqui onde eu vejo é muito lindo, encara comigo o mesmo horizonte.
Eu sei daquela saga, daquele tom, da minha insanidade. Eu sei cada canto nosso. Das rachaduras aonde era aquela porta, da poeira no teto. Daquele quarto que precisa da gente pra ser quarto. Daquela casa que envelhece se não é um lar.
Escuta, eu sei do teu lugar, eu podia contar a história de cada traço seu. Não se vire. Eu vejo as suas asas, o seu vôo na beira da praia. As vezes você precisa ir.
Mas o presente dado é um laço que não se desfaz. Não falo de motivo, culpa, ou de razão. Falo do que se amarra todo dia. Do presente que não se guarda na estante. Falo do presente que não se deixa passar, do que a todo instante se decide abraçar.
Para aqui comigo, um dia não existiu mais nada além de nós dois. Eu te espero. Você dizia que quando eu não pudesse caminhar, você caminharia me levando. Eu sei que é muito, eu sei do resto.
Mas eu ainda estou aqui.

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