Quando as coisas acabam, não é no começo o lugar onde dói.
O lugar doído, o corte mais fundo, é o que se queria que fosse e não é nem foi. Parece tão perto.
Mas a verdade é que é um abismo que não enxergamos. Não enxergamos por que não queremos ver com os olhos que temos, mas com os olhos de alguém que não somos, dos vazios que ainda não aprendemos a preencher.
E a verdade é que nos nossos abismos só se preenchem quando nós, em carne, osso e olhos, olhos de verdade, de presente, mergulhamos nele.
Quando você não esquece, quando você sente onde dói, procure o abismo. Visite as ruínas, reconheça os destroços, caminhe em meio aos escombros. Do contrário, você não anda, por que o caminho é somente esse. Se você não vê o abismo, você não atravessa, você não mergulha, você não constrói pontes.
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