as malas feitas na soleira da porta
ninguém havia vindo pra ficar
as lágrimas no quarto
e ainda, as risadas na sala
todas as ironias do destino
toda a raiva atirada
ao acaso
algumas lições
se fazem aprender
outras tecem um plano
e o cuidado de uma vida
é bordado no escuro
até o raiar do dia
nem sempre tive medo
mas chegada a hora
todo olhar regride
e eu voltaria outra
e por outras
tantas vezes
os sons da casa
eram altos e baixos
e sempre graves
entre todas as dores
o perdão falava baixo
as horas do adeus
eram mentoras das mãos
e do rosto
e a minha língua dizia
todas as coisas certas
quando me diziam
de tudo um resumo
e me entregavam tenros
as cartas da vez
tudo era o que poderia ser
incontáveis histórias
incansáveis ditados
ouvidos sem prazer
ou desgosto
ouvidos em vão
quando me deram motivos
irrompi em festa
eu tive razão
e ninguém provaria o contrário
estive vazia e oca
e certa
como o que eu via
em todo rosto
em qualquer lugar
até que me deram flores
e eu dizia que flores não eram
algo a se dizer
eram cor e cheiro
e não havia tempo
mas eu não via que destruiria
qualquer cor ou palavra
em qualquer boca
senão a sua
já não sabia o que fazer
com cores e cheiros
e coisas dadas
ou como acreditar
em algo que não leva
ou não destrói nada
[eu estive errada]
algumas lições pairam no ar
e esperam o momento
em que tudo desaba
sem peso ou alento
passada a hora
coincide o olhar
quando pedi desculpas
o fiz sabendo
que já estive do outro lado
quando tudo era sutil
e inerte
tudo era encontro
e nada se encontra
algumas lições
são tarde demais.
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