“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 20 de maio de 2017

Divisa

A minha ruína é essa mania de escrever. Escrever o que sinto, vejo, penso, essa coisa de querer no papel uma foto minha, capturada em palavras nada sensatas. Talvez assim pareça real, talvez assim eu não tenha escolha senão encarar a insensatez. Quando percebo a falha em minha escrita, enxergo o quanto de mim já foi enquanto eu acenava em adeus.
Ando pela mesma antiga estrada ignorando a sinalização. "Pare","perigo". Preciso de alguma coisa que continue, da velocidade, do escuro, de algo que não pare sem que eu faça parar, porque o meio do caminho é cruel e ecoa a fraqueza que me trouxe até aqui.
O meu fim é precisar falar quando queria algo que simplesmente fosse, sem palavra ou desculpa, algo que só acontecesse, existisse, estivesse ali. Mas enquanto as minhas palavras forem tão passionais e descuidadas, nada se define. Retratar essa imensidão exigiria um limite e escrever é minha única fronteira. É aonde sou só, inexata, cansativa, interminável. É como se eu nunca esgotasse, como se repetir a minha teimosia fosse apenas gentileza​. Escrevo e escrevo e escrevo, até que eu encontre forças, até que meus pecados pareçam amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário