“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 9 de agosto de 2015

boneca

faltam-me botões no vestido
talvez tenham se cansado
da vida estática
de pertencer a um peito que se rasga

salta-me um dos olhos
neste rosto antigo
que recusa o movimento
quem procura encontra
e preciso ficar

o pó já acumulado na estante
é o mapa desse lugar sem convite
embora algumas visitas
simplesmente apareçam

o corpo jaz desbotado
como ao relento há muito

ninguém quer ouvir da partida
então alguns partem aos poucos
coincidências da vida
esquecem-se de casa
do quarto
das coisas na estante
consideram-se assim livres

e assim,
somente assim
permanecem só.

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