“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

quarta-feira, 12 de março de 2014

fogueira

acendo a velha lâmpada de escrever
moro ainda aqui
não falharam as palavras
tardaram somente os motivos

queimam os velhos rostos e vozes
aparecem ainda aqui
não em ódio ou desafeto
vieram por si
como quem revê as fotos

a toda hora
passado e futuro correm
como quem abre a sala
há muito escura

ninguém está aqui em nome de alguém
a memória cede
como se lesse uma carta há muito esperada

espero também
como quem senta no prédio tombado
rever os quadros das paredes
os sorrisos de chegada
o vento batendo a porta

ninguém aqui conta histórias
ou encena batalhas
juntos sentimos coragem
não dor ou saudade
ao viver em silêncio
como quem sabe a hora do adeus

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