“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

segunda-feira, 31 de março de 2014

Afiado

é preciso viver
e viver silencia qualquer barulho
que confunda o que resta de nós

é preciso ajoelhar
quem ajoelha entende
o que se perde por negar
negar é partida de um jogo eterno
jogadores esquecem
não há perda ou glória
pra quem não desabar

é preciso deixar
conhecer-se
desvendar-se
ao menos uma vez
pra que se entenda o outro lado
o outro rosto
o outro amor
que não cabe em você

aceitar
por mais preciso o corte
permanecemos
esperamos
por mais cortante o fio
não corta a fé

amanhece preciso e insone
não encontra a parte cega
que não se deixa cortar
e não se cansa se nunca encontrar
mas é preciso também o som
do que sempre resta

é preciso lutar

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