“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 12 de dezembro de 2010

surpresa

Preciso não querer saber. Preciso da noite que não faça perguntas, do sono que não conte histórias.
Quero a lembrança sem arrepios, parada e óbvia. Cada detalhe intacto e sóbrio que me permita saber exatamente aonde, quando, quem e porque. Quero saber como, e como eu esqueci. Quero o fim das cenas remendadas que eu não soube costurar.
Os nomes ecoam na parede do quarto e não sei o que responder. Não sei nem o que imaginar porque tendo a imaginar além do que posso sustentar. Nas fotos, não me lembro dos sorrisos nem dos motivos. Esqueci os números do telefone, as datas e as músicas.
Só imploro pela cena, pelo exato segundo em que eu me distraí e esqueci de lembrar.
Os tantos dias que eu desconhecia ter guardado ficaram pesados, e se existe fardo mais pesado que o amanhã é o ontem.



"and I wonder if I ever cross you mind"

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