“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

sábado, 27 de novembro de 2010


Podia fingir não saber, mas daria mais trabalho do que tentar engolir o pedaço de realidade grande demais que eu mordi.
Podia enterrar as memórias irritantes, mas continuo lembrando cada segundo quando quero me distrair. Quando lembro demais, escrevo, consciente de que não vou conseguir expressar a intensidade de um segundo sequer.
A partir daí, fica fácil me enganar. Sei tão bem aonde leva cada atalho que os sigo involuntariamente. Quando sinto ter atingido o limite, apago a luz, bato a porta e sigo para outro cômodo.
Alterno passionalmente entre sim e não e tenho dificuldade em acompanhar a mudança.
O que eu sinto olhando pra lugar nenhum é que há muito pra sentir e lugar nenhum pra isso.
Tento fugir, mas tranquei todas as portas.

Um comentário:

  1. arrepiante,adorei
    "Podia fingir não saber, mas daria mais trabalho do que tentar engolir o pedaço de realidade grande demais que eu mordi"

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