“Porque há o direito ao grito. Então eu grito”

domingo, 9 de maio de 2010

futuro do pretérito

Costumava supor que seria fácil agradar às pessoas que amamos - mudei de idéia.
Quando realmente gostamos de alguém, passamos a ter medo. Medo de dizer demais, de não dizer, sofrer, e principalmente, de estar novamente só. Passamos a refletir sobre tudo que não deu certo, desacreditamos que exista quem mereça o melhor de nós.
Quando amamos, o que julgávamos simples se torna complicado. Sabemos o que dizer, mas por algum motivo, não o dizemos, e há um orgulho que nos impede de voltar atrás e recomeçar, ainda que pareça a coisa certa a se fazer. Passamos tanto tempo nos colocando no lugar do outro e pensando em causas e consequências......acabamos perdendo a razão por nos basearmos demais nela.
Talvez sejamos dignos de uma folga, e possamos viver um dia sem nos preocupar com o dia de amanhã. Seria fácil amar sem amanhã - não seríamos mais escravos do futuro do pretérito.
Usando o próprio, diríamos, faríamos, sentiríamos o que quer que fosse sem preocupações.
Precisamos de um dia - somente um - pra lembrar que nem tudo deve ter um propósito, um efeito, nem tudo deve levar a algum lugar ou fazer algum sentido. Nós não fazemos sentido nenhum, afinal. Quantos não se sentiriam aliviados? Quantos fariam o que sempre deixamos pra amanhã?
Teríamos coragem, liberdade. Deixaríamos de trair a nós mesmos com o silêncio, diríamos o que é importante, o que incomoda ou agrada, e acreditaríamos que as pessoas poderiam estar preparadas para ouvir o que temos a dizer. Não desejaríamos mais voltar no tempo, faríamos o tempo. Seríamos nós mesmos e viveríamos de acordo com o que temos hoje e insistentemente ignoramos: o presente - e somente isso.
Mas, novamente, falo em outro tempo.


"but if you never try you'll never know just what you're worth..."
(coldplay)

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